
E vivo nessa vida de sorrir chorando, de viver em casos, em retratos. Vivo nessa vida de seguir a canção que me mandaram, tentando fingir que o meu passado não me tocou. Tenho tanta coisa entalada, rasgada, entupida nessa garganta. Tenho tantas tentativas, tanta lágrima, tanto choro. Nossa, vivo nessa eterna tentativa de me enganar e de enganar os outros. Enganar mesmo, de iludir, de viver com medo de cometer erros, de me expor de mais. Medo de mostrar quem eu realmente sou e de afastar as pessoas. Achando que a opinião dos outros não é importante, mas no fundo, se preocupar demais em mostrar-se vulnerável. Sempre acho que posso sobreviver sozinha, que não preciso de ninguém. Mas a verdade é que todos precisamos de amigos e familiares em quem nos apoiar. Todos nós precisamos de pessoas para conversar, para confiar. Mesmo sabendo que é tudo superficial, frágil ou até mesmo falso. Adoramos dizer que odiamos falsidade, mas vivemos uma vida inteira baseada na busca de uma ilusão chamada felicidade plena. Nos achamos os donos da verdade quando ela nem sequer existe. Continuamos acreditando em coisas frágeis, que levam segundos para serem destruídas. Acho que toda a sociedade é baseada na falsa ideia da existência de segurança e confiabilidade. Precisamos acreditar sempre na melhor opção, mesmo que ela seja completamente artificial. Continuamos acreditando em mentiras, porque não estamos prontos para ouvir verdades.
1:44 a.m - 1 Apr. 12
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