sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Sobre a Vivência


Todos os dias eu acordo, vou para a aula e até sorrio. Sorrio, mas nem sempre por alegria, sorrio porque é pateticamente conveniente. No caminho de volta para casa eu tento procurar beleza no exterior quando o interior está contaminado. Na maioria das vezes até funciona. O sofrimento torna-se menor. Mas há algumas exceções, quando o desabafo dura o tempo que o coração pede e as horas continuam a passar. Encaro minha rotina, acho distrações, atraio sorrisos com coisas pequenas. O sol vai embora preguiçosamente para a lua encontrar os seres humanos (nem sempre tão humanos quanto deveriam ser).

Sucede-se aquele ritual: jantar, tomar banho, ler e me distrair com algo banal (nem sempre nessa ordem) o final é a cama. O teto do meu quarto transforma-se em qualquer lugar que minha imaginação me levar. Depois da dose noturna de utopia eu penso na vida e naquela realidade alfinetante que se acumula ao longo dos dias. O dia não precisa ser exatamente como descrevi para que no fim eu acabe com um monte de minhocas na cabeça. A chave do manual da sobrevivência chama-se: procurar-uma-maneira-de-consertar-os-problemas-diários. Um ajuste aqui, um remendo ali, e se precisar, um sorriso de plástico. Sobrevivência; sobre a vivência, sobre a convivência.


Então nós aguentamos, pois o bichinho da esperança sempre volta e nos faz procurar algo bonito. Aí eu durmo, a cidade dorme e cada cabeça é uma história.



08/12/2011 - 09:17pm - Friday




By: @mandynha_hp

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